Este blog destina-se ao estudioso livre, que manifesta interesse na maçonaria como fonte de estudos acadêmicos
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
O AVENTAL MAÇÔNICO
Avental é símbolo do iniciado maçônico, representando a prontidão para o trabalho, que nos acompanha desde o meio dia até ao fim da vida. O Avental recorda-nos a todo o momento, as nossas obrigações e deveres como maçons. Símbolo da inocência é a insígnia do maçon.
A alma constrói o seu corpo ou Avental, que será puro ou impuro conforme os seus desejos e pensamentos. Assim, em cada grau, o Avental simboliza o progresso da alma com a sua própria espiritualidade. O estado de pureza inicial está patente no Avental de Aprendiz. Tábua rasa própria do recém nascido. Com o progresso maçônico, o iniciado recebe riquezas espirituais, simbolizadas nos adornos do seu Avental.
O Aprendiz usa o avental com a abeta levantada enquanto o Companheiro baixa a abeta do seu avental. O Aprendiz usa a abeta levantada para proteger o chacra localizado na região do plexo solar, zona dos cascalhos da pedra bruta que está a desbastar. Esta serve para lhe lembrar permanentemente que, a parte espiritual (representada pelo triângulo) deve estar acima da parte material (representada pelo retângulo).
O Companheiro não precisa de proteção, pois já diferencia o espiritual do material. Já não precisa ser constantemente recordado deste caráter dual.
Rizzardo da Camino defende a utilização do Avental próprio de cada grau em que a loja está a trabalhar. Assim, numa sessão aberta em primeiro grau, todos exceto o Venerável, deveriam usar o Avental de Aprendiz, retornando ao momento inicial da sua caminhada. Como um verdadeiro “eterno Aprendiz”.
Ainda que as origens do avental maçônico sejam obscuras, alguns autores, como Leadbeater, remetem o uso primordial do Avental para o Antigo Egito, tendo, no entanto, o nosso Avental resultado da união dos maçons especulativos com os maçons operativos, forma encontrada pelos nossos Ir.·. de dissimularem a sua atividade, em função das perseguições eclesiásticas. O fundamentalismo religioso, todo o fundamentalismo religioso, sempre viu no nosso Avental um símbolo de abertura espiritual incompatível com verdades absolutas, dogmáticas e incontestáveis.
O Ir.·. Wilmshurst diz-nos que “A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo e visível, consistente de seu cerimonial, de suas doutrinas e símbolos, que se podem ver e ouvir, e um aspecto interno, mental e espiritual, oculto sob as cerimônias, doutrinas e símbolos, que só aproveita ao maçom capaz de se valer da imaginação espiritual e de descobrir a realidade existente atrás do véu do símbolo externo”.
O Avental representa exotericamente a vestimenta corpórea da alma, mas esotericamente simboliza a condição imortal da alma, que sobrevive à morte do seu corpo físico temporal.
Fonte: Arte Real Trabalhos Maçônicos. Acesso em http://focoartereal.blogspot.com.br/2011/10/o-avental-maconico.html
terça-feira, 8 de setembro de 2015
DE PROFANO A YESHUA BEN YOSEPH
Por Yeshua Ben Yoseph.
Anticipei, ansiosa e quiçá fonéticamente trémula, a leitura desta minha primeira prancha. Vejamos se assim é, agora que me coloco entre colunas (quais braços de irmãos apartados que me acolhem), e diante do Grande Oriente ( qual luz que me guia e ilumina).
Começo por pedir perdão pela ingenuidade da ideia e pela parcimónia do verbo, reiterando humildemente o profundo respeito a quem dedico este meu primeiro trabalho, bem como a ínestimável amizade fraternal a quem o apresento.
Escreveu um N.’.Q.’.I.’., sobre a angústia da escolha de um tema que, esta pode ser tal, que quase somos tentados a plagiar um outro trabalho já publicado. Por lhe reconhecer tamanha razão, mas acima de tudo, confesso, porque fui parco no tempo que tirei aos meus dias para a preparação desta prancha, decidi afastar-me de tais tentações de originalidade, e exaustiva investigação, e “preguiçar” sobre um tema que conheço muito bem, que não requereu investigação digna de registo, ou seja, Eu.
Após o "mea culpa", quase silício, a que já me obriguei pela pobre contribuição que este trabalho possa aportar a uma assembleia, talvez a alegria e a excitação que sinto ao partilhá-lo pela primeira vez com os meus queridos irmãos, permita daquela alguma tolerância e destes, a compreensão para com este aprendiz, que mais não pretende do que dizer dos porquês de querer ser um verdadeiro maçon.
Sempre, desde muito pequeno, procurei agir honrando valores tão nobres como a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade, reconhecendo esta como a mais complexa, na prática, pela sua abrangência do indivíduo ao colectivo e as várias interpretações a que pode ser sujeita.
Também sempre me me fascinou a figura, a palavra e a obra de um homem que uns elevaram a Cristo, e que tantos, depois destes, o acreditaram e acreditam como o Messias Salvador. Nenhuma destas condições (tal seria a veleidade ou até heresia) influenciou a escolha do meu baptismo maçónico. Foram a sua coragem, capacidade de amar o próximo e espiritualidade que sempre me fascinaram, e agora, são estímulo ao desenvolvimento do meu sentir maçónico.
Numa Era em que imperava a força bruta da lei do mais forte sobre o mais fraco, esse galileu chamado Yeshua Ben Yoseph, ou Jesus Filho de José, respondeu ao ódio com amor, á indiferença com compaixão, à brutalidade com a não violência. Ensinou que o caminho espiritual começava na terra e no amor do homem pelo homem.
Em boa verdade, nunca me identifiquei com nenhuma das formas que me foram dadas a conhecer para melhor compreender e apreender a sua palavra. Também, jamais, limitei os meus horizontes ou franqueei o meu eu espiritual a outra que, talvez mais munida de argumentos espirituais e operativos, me ajudasse a melhor entender este meu agradável, forte, misterioso até, fascínio por este homem.
Dividido entre várias interpretações , poucas por certo, busquei entre o divino e o terreno encontrar a minha espiritualidade. Debalde.
Profano cresci, e naturalmente padeço das muitas imperfeições e parcas virtudes da espécie humana, continuava sem vislumbrar o caminho. Essa busca sem norte, levou a que a minha interpretação de um Deus Todo Poderoso, Omnipresente, Omnipotente e Misericordioso fosse até agora algo distorcida, pois velados estavam os meus sentidos pela confusão, ignorância e desnorte que, não me era permitido ver o caminho em direcção à minha espiritualidade e ao seu "sentido".
A revolta interior que sentia por este vazio espiritual, é agora motivo de arrependimento pessoal. Tivera eu, em mais tenra idade canalizado energia nesta demanda, melhor teria feito. Sucumbi à minha própria inércia, percebendo só agora os anos de trabalho maçonico que perdi. De vista turva, perdido, mas acomodado, fui resgatado desta letargia espiritual, quiçá por acaso quiçá não, por um querido irmão nosso que, hoje, muito me honra ter como padrinho.
A minha Iniciação foi como uma brisa que ao passar levantou ao de leve a ponta desse véu escuro e denso que vela os profanos, como eu. Foi depois, na Sala Húmida, que a brisa se fez vento, calmo, sereno, mas eficaz ao descobrir do sol a Luz que dele emana, quando ao partilhar o pão e o vinho, com estes homens a quem hoje quero como irmãos, senti a magia, a força da Trindade Maçónica e me senti tão livre, igual e fraterno quanto eles. Aí, decidi o meu nome maçónico tão cheio de simbolismo e espiritualidade como toda essa experiência que eu estava a passar, pois vi que: simbolicamente, sou o aprendiz de pedreiro; Simbolicamente, o grande espírito de todo o universo é o arquitecto; Simbólicamente, Yeshua Ben Yoseph é o engenheiro do templo interior que quero construir; Simbólicamente, o meu V.M. é o mestre da obra, grande oriente que guia e dirige; Simbólicamente, os meus irmãos são os leais mestres, pedreiros e aprendizes como eu. Juntos, são a força de que necessito para iniciar e levar por diante até ao meu ultimo sopro de vida, a construção do meu templo interior. Quanto maior e mais sólido ele for, melhor Deus estará dentro de mim, pois é essa a omniscencia, é essa a omnipresença, é esse o poder do amor de Deus. Á glória do G.A.D.U. , serei eu a Sua casa.
Sou maçon porque acredito na fraternidade dos homens, na melhoria do ser humano e na elevação do espírito. Chamo-me Yeshua Ben Yoseph para homenagear o alquimista espiritual que, pela primeira vez na história da humanidade, juntou o sal do amor fraterno ao conhecimento, disse que os homens eram todos iguais e que os mesmos deveriam ser livres de corpo e alma. Assim se glorificaria o Criador, Grande Arquitecto do Universo, que está em todos nós.
Serei maçon, sempre que os MM.’.QQ.’.II.’. me reconheçerem como tal, e me aceitarem no seu seio. Tudo farei por merecer esse reconhecimento. Chamarem-me de Yeshua, fará de cada cada um de vós a cada chamamento, sentinelas bem alerta, avisando-me da responsabilidade da minha condição e do nome que escolhi.
T.’.A.’.F.’.
Fonte: Maçonaria em Portugal. Acesso em http://www.maconariaportugal.com/
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
"O 20 DE AGOSTO, A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Por: Kennyo Ismail.
Muito se tem escrito no meio maçônico sobre o papel protagonista da Maçonaria na
Independência do Brasil. Desde o manifesto que resultou no Dia do Fico, a iniciação de
D. Pedro I, ou mesmo sua proclamação como defensor perpétuo e imperador do Brasil1
.
Um dos pontos mais questionados na literatura maçônica brasileira sobre o tema está
relacionado ao Dia do Maçom, 20 de agosto, o qual será objeto deste estudo. Essa data
entrou para o calendário oficial brasileiro como o Dia do Maçom por conta de proposta
apresentada em 1957 na CMSB - Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil
, que
congrega as 27 Grandes Lojas Estaduais brasileiras, proposta que foi posteriormente
apresentada e aprovada no Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da
República. Na época, vários municípios e estados já possuíam lei similar, e a Maçonaria
brasileira em geral já comemorava seu dia em tal data.
A razão de a Maçonaria ter escolhido o dia 20 de agosto é por conta de Ata de reunião
do então Grande Oriente Brazílico, datada do 20º dia do 6º Mês da Verdadeira Luz.
Nessa reunião, presidida por Gonçalves Ledo, os maçons presentes teriam aprovado a
Independência do Brasil, sobre a qual Dom Pedro seria informado e deveria aderir,
tornando-se Imperador, ou voltar para Portugal.
Porém, José Castellani defendeu em suas obras “Os Maçons e a Independência do
Brasil”3
e “Do Pó dos Arquivos”4
que o 20º dia do 6o mês da Verdadeira Luz não foi
dia 20 de agosto de 1822, erro histórico esse atribuído ao Barão do Rio Branco.
Castellani indica como data correta o dia 9 de setembro, ou seja, posterior ao Grito de
Independência.
Fato é que em 1822 houve uma reunião maçônica, presidida por Gonçalves Ledo, na
qual a Maçonaria posicionou-se a favor da Independência do Brasil. Qual foi o dia dessa
reunião? Teria sido antes de 7 de setembro, e esse ato teria influenciado direta ou
indiretamente a ação de D. Pedro, às margens do Rio Ipiranga? Ou teria sido depois de 7
de setembro, em nada influenciando o ato do Grito de Independência, em particular? A
ata dessa histórica reunião apenas informa que foi no 20º dia do 6º mês do ano de 5.822.
Para desvendar esse mistério, faz-se necessário compreender os calendários maçônicos
adotados na época:
Um arcebispo anglicano irlandês, James Ussher, realizou uma série de cálculos no
século XVII e determinou que, conforme a Bíblia, o mundo teve origem no ano de
4.004 a.C..
5
Seu cálculo dava até hora e data. Quase cem anos depois, James Anderson,
acreditando que a Maçonaria deveria marcar os dias de forma própria, diferente dos
calendários adotados e ligados a religiões, criou o primeiro Calendário Maçônico. O
2
Calendário de Anderson arredondava a criação do mundo para 4.000 a.C., então o ano
maçônico passava a ser a soma do ano comum e 4.000 e era chamado de Anno Lucis.
6
No caso da França, pioneira da Maçonaria latina, adotou-se o sistema de anos de
Anderson, com certo “plus”. No Rito Francês ou Moderno, o primeiro dia do ano foi
tido como 1º de março e os meses passaram a ser contados pelo número ordinal7
.
Assim, o dia 24 de junho de 1717 na Maçonaria passava a ser 24º dia do 4º mês de
5.717 da Verdadeira Luz. A Maçonaria francesa serviu de modelo quando do
surgimento da Maçonaria em Portugal e no Brasil, as quais herdaram dela o nome
Grande Oriente, além dos ritos, modelo de constituição e outras características.
Considerando o calendário maçônico francês, o 20º dia do 6º mês de 5.822 é exatamente
o dia 20 de agosto de 1822. Nesse caso, a CMSB estaria certa.
Mas na França também houve um costume de muitos Altos Corpos e até Lojas
Simbólicas manterem o acréscimo de 4.000 no ano, sugerido por Anderson, mas usarem
os dias e meses conforme o calendário judaico. Isso se deveu à influência da cultura
judaica nos rituais e ritos maçônicos, além da relevante presença de judeus na
Maçonaria. Tal costume pode ser visto até hoje em muitas Obediências, em que o
calendário judaico, inclusive com o uso dos nomes dos meses em hebraico (Nissan, Elul
etc), é usado em certificados. Considerando esse calendário judaico-maçônico, o 20º dia
do 6º mês de 5822 (ano maçônico) seria o dia 6 de setembro de 1822.
E há também o chamado no Brasil de Calendário Maçônico Gregoriano, defendido por
Castellani como o sistema utilizado nas primeiras atas maçônicas brasileiras, que fixa o
Equinócio Vernal no dia 21 de março, o qual passa a ser o 1º dia do ano. Considerando
esse calendário, o 20º dia do 6º mês de 5822 seria o dia 9 de setembro de 1822.
A teoria de 9 de setembro, defendida por Castellani, em minha opinião esbarrava em
algumas questões. O calendário com início em 21 de março é tido como um calendário
historicamente adotado pelo Rito Adonhiramita, rito esse no qual a Loja “Comércio e
Artes” teria trabalhado inicialmente e, por isso, defendido por Castellani. Porém, os
registros indicam que em 1822 as três Lojas fundadoras do Grande Oriente do Brasil já
trabalhavam no Rito Moderno, oficial no Grande Oriente da França e no Grande Oriente
Lusitano, como o próprio Castellani também evidenciou em sua obra “Fragmentos da
Pedra Bruta”
8
. Havia então certa contradição. Outro ponto interessante é que o
Calendário com início em 21 de março foi abolido pelo Grande Oriente da França ainda
em 12/10/1774, o que levava à conclusão de que o Grande Oriente Lusitano nunca
chegou a adotá-lo. Se, em 1822, a França e Portugal não mais o utilizavam, o qual
estava em desuso desde 1774, por que o Brasil o teria usado?
Considerando o formato utilizado ao datar a ata da referida reunião, minha conclusão
inicial era de que se tratava do calendário maçônico usual da época nos países latinos,
ou seja, a reunião teria mesmo ocorrido no dia 20 de agosto de 1822, com tempo de
sobra para que a notícia tenha corrido entre os líderes populares e intelectuais da época,
a ponto de provavelmente influenciar José Bonifácio e Dona Leopoldina no teor de suas
3
cartas, que alcançaram D. Pedro no dia 7 de setembro de 1822, motivando-o a bradar o
histórico Grito de Independência.
Até aí, cabia o justo questionamento sobre o tema. Porém, ao ter a oportunidade de
realizar um estudo sobre a ata de fundação do Grande Oriente Brasílico, transcrita na
revista “Astréa”9
, na edição de Abril de 1928, verifiquei que a teoria de Castellani está
correta. A ata registra a fundação do Grande Oriente Brasílico “aos 28 dias do 3º mez
do anno da Verdadeira Luz de 5.822”. Sabe-se que o Grande Oriente Brasílico foi
fundado no dia 17 de Junho de 1822, próximo ao dia de São João Batista, como de
costume. Um cálculo simples comprova o uso do Calendário Maçônico Gregoriano,
conforme Castellani defendia.
Por sinal, o mesmo número da “Astréa”10 traz outro documento maçônico curioso para a
história da Maçonaria no Brasil, que é a carta-denúncia do Grande Oriente Brasileiro,
fundado em 24 de Junho de 1831 e tendo como Grão-Mestre o Senador Vergueiro,
contra o Grande Oriente Brasílico, reerguido em 23 de Novembro do mesmo ano. Entre
as acusações, o Grande Oriente Brasileiro apontava como irregularidade no
reerguimento do Grande Oriente Brasílico o fato ter sido reerguido com José Bonifácio
como Grão-Mestre, tido na época como inimigo da Maçonaria por conta de, entre outras
coisas, a criação do Apostolado, e não Dom Pedro I, o último Grão-Mestre, ou seu
sucessor legal. Entre as Lojas que apoiavam a denúncia, estava a “Comércio e Artes”,
embrião do primeiro Grande Oriente Brasílico, e a Loja “Educação e Moral”, de
Gonçalves Ledo. Mas isso é história para outra ocasião.
Enfim, voltando à participação maçônica na Independência do Brasil, fato é que, por
conta da precariedade da comunicação na época, que seguia literamente “a cavalo”,
enquanto os maçons cariocas defendiam a independência entre colunas, já havia passado
dois dias do grito de independência de D. Pedro I. Porém, deve-se levar em
consideração que, apesar da referida reunião não ter tido participação direta no ato de
independência em si, ela teve sua importância nos momentos seguintes, decisivos para o
sucesso do Brasil como país independente. Quando da chegada ao Rio, D. Pedro sabia
que estava assumindo um Brasil em que 90% da população era analfabeta, parte da elite
intelectual era republicana, com rivalidade entre províncias, à beira da falência, sem
exército, marinha, armas e munições. O apoio dos irmãos maçons, muitos com certa
influência nas principais províncias, e num momento de tanta fragilidade política e de
perigo iminente, foi, sem dúvida alguma, de suma importância para o novo Imperador.
Todavia, a participação maçônica nesse processo de independência não ficou restrita ao
Rio de Janeiro. Deve-se registrar também que os maçons paulistanos foram os primeiros
a aclamar publicamente o novo Imperador, ainda naquela noite de 7 de Setembro de
1822 11, fato esse muitas vezes esquecido ou ignorado pela literatura maçônica.
De qualquer forma, é importante ressaltar que a análise dos registros acerca da
participação maçônica na Independência do Brasil evidencia que tal participação “não
foi apenas gloriosa, mas visceralmente humanizada, com suas grandezas, ousadias,
fraquezas, contradições, traições e violências”.12 Enfim, que bom que funcionou.
4
NOTAS
1 GOMES, L. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por
dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
2 CMSB. Súmulas das Mesas Redondas, Assembleias e Conferências. Brasília: CMSB, 1997.
3 CASTELLANI, J. Os Maçons e a Independência do Brasil. Londrina: Editora A Trolha, 1993.
4 CASTELLANI, J. Do Pó dos Arquivos. Londrina: Editora A Trolha, 1996.
5 BARR, J. Why the World Was Created in 4004 BC: Archbishop Ussher and Biblical
Chronology. Bulletin of the John Rylands University. 1985, vol. 67, no2, pp. 575-608.
6 MENDOZA, H. Anno Lucis et al. Ars Quatuor Coronatorum. London: Quatuor Coronati
Lodge, Vol. 95, 1980.
7 DAZA, J. C. Diccionario Akal de Francmasonería. Madri: Editora Akal, 1997.
8 CASTELLANI, j. Fragmentos da Pedra Bruta. Londrina: Editora A Trolha, 2003.
9
SUPREMO Conselho do Brasil. Revista Astréa de Estudos Maçônicos. Rio de Janeiro: Editora
Astréa, Ano: II, Nº 04, 1928.
10 Ibidem.
11 GOMES, L. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por
dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
12 MOREL, M. & SOUZA, F. J. O. O Poder da Maçonaria – A História de uma Sociedade
Secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
Fonte: No Esquadro. Acesso em http://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2012/08/20-de-Agosto-a-Ma%C3%A7onaria-e-a-Independ%C3%AAncia-do-Brasil-Kennyo-Ismail.pdf
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Cargos de uma loja maçônica + Artigo.
Venerável Mestre,
que preside e orienta as sessões.
Primeiro Vigilante,
que auxilia nos trabalhos, trata da organização em geral e instrui os aprendizes.
Segundo Vigilante,
que auxilia nos trabalhos e instrui os companheiros.
Orador,
que sumariza os trabalhos e apresenta conclusões antes das votações e garante o fiel cumprimento da legislação maçônica. Equivale a um representante do Ministério Público, dentro da Loja.
Secretário,
que redige as actas e trata da sua conservação e é responsável pelas relações administrativas entre a loja e a obediência e junto com o ' 'Venerável Mestre.
Experto,
responsável pelas cerimônias de iniciação, em alguns ritos e obediências este é responsável por toda a condução das cerimônias maçônicas e é ajudado pelo Mestre de Cerimônias
Mestre de Cerimônias,
responsável por toda a condução das cerimônias maçônicas, introduz os irmãos na loja, conduz aos seus lugares os visitantes, e ajuda o Experto nas cerimônias de iniciação,
Tesoureiro,
que recebe as quotizações e outros fundos da loja e vela pela sua organização financeira.
Guarda do Templo,
(que alguns Ritos e lojas é só externo noutros é externo e interno e ainda noutros ambos são ocupados por irmãos diferentes) e que vela pela entrada do Templo são outros oficiais igualmente importantes.
Os cargos do Venerável Mestre ao Segundo Vigilante são chamados as luzes da oficina, os demais cargos são chamados de oficiais.
Fonte: Loja Maçônica Soberana e Independente Honra e Paz.
Leia mais: http://lojamaconicahonraepaz.webnode.com.br/trabalhos%20ma%c3%a7onicos%20-%20pranchas/
ARTIGO PARA INSTRUÇÃO (Nota 10).
VOLTAIRE: vida, iniciação e morte.
Por José Maurício Guimarães.
Voltaire é o pseudônimo de François-Marie Arouet. Apesar de ter sido considerado uma "entidade demoníaca" por seus ilustres adversários, François-Marie nasceu como qualquer bom cristão, filho de um tabelião honesto e de mãe culta e aristocrática. Isso foi no dia 21 de novembro de 1694, em Paris. Na minha opinião, essa data deveria ser proclamada Feriado Mundial para que todos refletissem sobre honestidade, requinte e distinção de porte.
François-Marie estudou com os padres jesuítas que o consideravam excepcional talento, mas “um refinado patife”. Entretanto, foi o refinamento desse “patife” que proporcionou centenas de reformas na França, transformando radicalmente o modo de pensar da humanidade a partir do século XVIII. Suas idéias (liberdade de imprensa, o sistema imparcial de justiça criminal, liberdade religiosa, leis tributárias mais justas, educação laica, e redução dos privilégios da nobreza e do clero) repercutem até hoje no mundo civilizado. De sua estreita ligação com as mentes iluminadas, desenvolveu teses visando amplas reformas sociais. Em todas elas, acertou em cheio! Combateu abertamente as rígidas normas de censura clerical e, apesar de não filiado a nenhuma igreja, defendeu abertamente os protestantes perseguidos na França (caso Jean Calas).
Nunca se importou de fazer amigos que lhe custassem o sacrifício de suas opiniões libertárias. Nunca recebeu medalhas ou comendas por isso, mas angariou uma multidão de inimigos e sérias complicações em sua vida particular.
Voltaire não era um ateu no sentido comum do termo ou conforme o entendimento obtuso de seus detratores. Era um deísta: questionava a idéia de revelação divina e considerava a razão capaz de admitir um Deus sem a necessidade de práticas religiosas, rituais, templos, hierarquias e castas sacerdotais. O deísmo nasceu entre os antigos gregos com a idéia de "causa-primeira"; o conceito foi desenvolvido por cientistas britânicos e pensadores italianos: Galileu Galilei quase foi parar na fogueira por causa disso e Isaac Newton teve que "dar nó em pingo d'água" para não ter a cabeça decepada. Dessa forma, mesmo quando Voltaire era aluno dos piedosos jesuítas, recusou-se a crer num deus que servia apenas aos interesses do reis e dos papas.
Aceitou brincar de "gato-e-rato" com a lâmina afiada de Dâmocles: foi bajulado por reis e rainhas, inclusive Frederico II da Prússia que tentou seduzi-lo para sua corte de cientistas e escritores bajuladores que parasitavam no palácio de Sans-Souci. Frederico deu-se mal: Voltaire, sempre compromissado com a verdade e a igualdade social, ridicularizou os péssimos versos do monarca. Denunciou a promiscuidade sexual da corte e as sérias dificuldades políticas vividas em Potsdam por conta de o prussiano "detestar as mulheres e ter outras preferências para seus prazeres". Acusou o pensamento íntimo do rei que consistia numa "liberdade relativa" onde os cidadãos nada mais eram do que servos cabisbaixos das ordens do Estado. Mais ou menos como hoje, só que os voltaires do nosso século estão amordaçados ou comprados.
Voltaire cometeu apenas um equívoco: ao ser convidado para ouvir uma criança de 12 anos de idade tocar violino e cravo – Mozart - o velho de 74 anos, já surrado pelas futilidades da corte, desconfiou e demonstrou impaciência; deu de ombros e preferiu ficar quieto em casa. Mozart nunca o perdoou por isso, nem mesmo quando tomou conhecimento de que tinham se tornado Irmãos de Maçonaria.
Voltaire foi iniciado no dia 7 de fevereiro de 1778 na Loja Maçônica “Les Neuf Soeurs” de Paris, três meses antes de sua morte. Os cronistas narram a cerimônia como uma das mais brilhantes da história da maçonaria mundial. O Venerável Mestre Lalande, que dirigiu a sessão, desceu do altar e foi até a porta do Templo para receber, sob o aplauso incessante dos presentes, o ilustre octogenário. Voltaire ingressou entre colunas apoiado no braço de Benjamin Franklin, embaixador dos EUA na França. A sessão foi conduzida na presença de 250 irmãos. Voltaire foi revestido com o avental que a viúva de Helvetius fez questão de lhe ceder.
Essa iniciação teve grande significado na história da Ordem Maçônica: aconteceu dois anos após a redação da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América e onze anos antes da tomada da Bastilha, símbolo político da monarquia, que marcou o início da Revolução Francesa. Naquela memorável noite de 7 de fevereiro de 1778 os revolucionários da América e da Europa e toda a Maçonaria prestava uma justa homenagem ao grande arquiteto das reformas políticas e sociais, François-Marie Arouet, o Voltaire. A França e os 250 maçons reunidos na Loja “Les Neuf Soeurs” estavam enviando um recado ao rei e ao clero.
Muitas lembranças devem ter ocorrido à mente do ancião durante toda a Iniciação. De certo, lembrava-se de seus vinte e três anos quando foi mandado preso para a Bastilha. Foi naquela terrível masmorra que ele adotara o nome Voltaire. E, por estranha coincidência, era o ano de 1717 quando nascia a Maçonaria tal como a conhecemos em nossos dias: quatro lojas inglesas se reuniram para formar a então Grande Loja de Londres. Imagino que passava pela memória de Voltaire a época em que preferira o exílio na Inglaterra. Foi em Londres que ampliara suas convicções e paixão pelos ideais de liberdade, tolerância e total repúdio ao fanatismo e à hipocrisia. Adotou para si a liberdade de expressão dos ingleses que, apesar do conservadorismo reinante, escreviam o que bem entendiam ser proveitoso para a política, as artes e as ciências. Manteve contatos com o empirista Berkeley, freqüentou os círculos de Young e Pope. Assimilou as idéias satíricas de Swift, autor de "As Viagens de Gulliver", e estudou as obras de Newton propagando suas idéias na França com as "Cartas filosóficas".
Aquela Iniciação era uma formalidade , pois há homens que, a exemplo de Voltaire, já nascem maçons; e há os que envelhecem nas Lojas sem compreenderem o que fazem ali.
Passaram-se três meses de sua Iniciação e sobreveio-lhe a morte. Não sabemos, ao certo, se Voltaire teve a feliz oportunidade de comparecer a outras sessões de Loja para participar de elucidativos debates sobre o cardápio das festas do ágape ou da escolha da banda que haveria de abrilhantar o baile anual.
O último suspiro - e talvez a última risada íntima - ocorreu em Paris no dia 30 de maio de 1778. Seus inimigos pagaram uma boa gratificação à enfermeira Sidonie-Marie que presenciou seus últimos momentos, para que assegurasse a todos que o velho filósofo morrera gritando e pedindo perdão por suas idéias. A verdade é que Voltaire, após uma hemoptise, repousou em paz: tinha apenas três meses de Maçonaria e 84 anos dedicados ao bem da humanidade.
O virtuoso bispo de Troyes escreveu uma ordem proibindo que o venerando corpo de Voltaire fosse sepultado em solo sagrado por tratar-se de "um ser satânico, um estúpido ateu e libertino". Tarde demais: o pároco da abadia de Scellieres comunicou ao bispo que Voltaire já havia sido sepultado na abadia, ao lado de virtuosos santos e santos bispos, sob a fumaça beatífica do melhor dos incensos e ao som dos mais piedoso cânticos gregorianos.
Hoje, a estátua e a tumba onde se encontram os restos de Voltaire estão no Panthéon de Paris, no Quartier Latin.
Fonte: Loja Maçônica Soberana e Independente Honra e Paz.
Leia mais: http://lojamaconicahonraepaz.webnode.com.br/blog/
sábado, 29 de agosto de 2015
A prancha de Aprendiz (Blog A Partir Pedra).
Por Rui Bandeira.
Para o Aprendiz que se entrosou no grupo e que vem fazendo o seu trabalho, com assiduidade e diligência, chega sempre um momento em que um Mestre – por regra o 2.º Vigilante, mas pode ser qualquer Mestre -, no meio de uma descontraída conversa, a propósito ou aparentemente a despropósito, lança, como quem não quer a coisa, a pergunta: - Então, já escolheste o tema da tua Prancha?
Este é o primeiro sinal que é dado ao Aprendiz que os Mestres da Loja entendem que o seu trabalho está a ser frutífero e que se aproxima a hora de novo avanço. O tempo da integração e da adaptação decorreu e está próximo de terminar, o tempo de progredir está-se a aproximar. Não quer isto dizer que a progressão, o avanço esteja já aí ao virar da esquina. Não é incomum, pelo menos na Loja Mestre Affonso Domingues, que, entre o momento em que o Aprendiz é incentivado a começar a elaboração da sua prancha e aquele em que deixará de ser Aprendiz medeiem uns bons seis meses, ou mesmo mais. É que, entre o primeiro incentivo ao Aprendiz à elaboração por este de uma prancha e a conclusão por este da dita, vai seguramente decorrer algum tempo. E depois há que agendar a sua apresentação em Loja. E, decorrida esta, haverá que aguardar pela ocasião propícia para a Passagem do Aprendiz à fase seguinte do seu percurso maçónico. E já neste espaço deixei consignado (por várias vezes) que pressa e maçonaria não ligam bem...
A elaboração pelo Aprendiz de uma Prancha é essencial para possibilitar o seu avanço de grau. A Prancha do Aprendiz é como que o relatório do seu trabalho, o registo da sua mudança, a exposição da sua evolução, patenteados perante a Loja. Não é um exame – o Aprendiz não tem que provar a sua proficiência em Simbolismo, Aperfeiçoamento e Artes e Ofícios Correlativos... Aliás, tudo o que o Aprendiz tem de provar, tem de o fazer a si próprio, apenas e tão só, e a mais ninguém. Se ele quiser lograr alguém, só ele será enganado, mais ninguém...
A Prancha do Aprendiz é, antes do mais e para além de tudo o mais, apenas mais um trabalho que este deverá executar. Com a diferença que este se destina, não apenas ao interior de si próprio, mas também a ser apresentado, escrutinado, apreciado em Loja.
O essencial interesse da Prancha de Aprendiz é a sua feitura. Mais uma vez, o que interessa é o percurso, não a meta. Também aqui o essencial é o trabalho que o Aprendiz realiza e não propriamente o seu resultado final. Há Pranchas de Aprendiz belas e vulgares. Enciclopédicas e triviais. Extensas e breves. Profundas e superficiais. Enfeitadas e toscas. Literatas e simples. Imaginativas e insossas. Há de tudo. Não importa. O que importa é o investimento pessoal que o Aprendiz fez na sua elaboração e, com ele, o que aprendeu, o que sistematizou, a aresta que limou.
Apresentada que esteja a prancha, ela é sempre, na Loja Mestre Affonso Domingues, objecto de apreciação e comentário dos Mestres presentes. Normalmente, todos os Mestres, ou quase, se pronunciam. E todos os que o fazem, qualquer que seja o nível da prancha, do mais esplendoroso e credor de admiração, ao mais simples, nos seus comentários lobrigam algo de positivo, algo de bom, e algo de negativo, algo susceptível de melhoria. Pode o trabalho ser objecto dos mais entusiásticos encómios – mas não deixará de ver apontado um, insignificante que seja, aspecto em que se declara que podia ser ainda melhor. Pode o trabalho sofrer as mais ferozes críticas – mas não deixará de se realçar, por minúsculo que seja, o aspecto merecedor de uma referência elogiosa. Porque todo o trabalho dedicadamente feito merece encómios e nenhum trabalho humano é perfeito. Porque foi feito e apresentado por um dos nossos. E os nossos têm de nós sempre o elogio misturado com a censura, para que nunca sucumbam à tentação de subir às alturas que causaram a queda de Ícaro; e os nossos merecem de nós sempre a crítica lúcida, verdadeira e leal, mas sempre temperada com o incentivo do nosso reconhecimento do que de bom é feito e da sua capacidade de fazer melhor.
Normalmente, as três últimas intervenções são, respectivamente, do 2.º Vigilante (o Mestre responsável pela Coluna dos Aprendizes) – que termina a sua intervenção declarando que entende que o Aprendiz está pronto para avançar para o grau seguinte -, do 1.º Vigilante (o Mestre responsável pela Coluna dos Companheiros) – que termina a sua intervenção manifestando a sua disponibilidade para receber o Aprendiz que apresentou a Prancha na sua Coluna – e do Venerável Mestre – que sintetiza tudo o que foi dito, anunciando que oportunamente se procederá ao aumento de salário (isto é, à passagem de grau) do autor da prancha.
Assim se declara o reconhecimento da Loja da evolução que o Aprendiz teve desde que foi iniciado. Assim funciona e trabalha a Loja Mestre Affonso Domingues. E não nos temos dado mal com o sistema...
Análise de Rui Bandeira sobre dúvidas recorrentes:
"O tema da prancha é livremente escolhido pelo seu autor. Se este o pretender, podem ser-lhe dadas sugestões, que ele aproveitará ou não.
Deve a prancha de Aprendiz corresponder à simbologia própria desse grau. Não faz sentido que, por exemplo, o Aprendiz apresente uma prancha cometando símbolos próprios do grau de Mestre. Não tanto por ele, mas pelos demais Aprendizes. Já várias vezes expressei que, em Maçonaria, o tempo e a sequência de apreensão de conhecimentos é importante.
Não se mandam refazer pranchas. Mas as pranchas dos Aprendizes devem ser revistas pelo 2.º Vigilante, que poderá e deverá aconselhar modificações, no sentido de as melhorar. Mas o Aprendiz é livre de aceitar ou não os conselhos dados. Em caso algum se faz censura.
Mesmo na hipótese que acima exemplifiquei, o máximo que se poderia fazer era informar que tal prancha não era considerada adequada para ser apresentada no grau de Aprendiz, mas apenas no grau de Mestre. O seu autor deveria reservá-la para o fazer nesse grau, quando o pudesse fazer. Claro que isso implica que ascenda primeiro ao grau de Mestre e, para fazer esse percurso, terá de apresentar uma (outra) prancha adquada ao grau de Aprendiz...
Só nestas circunstâncias existe uma situação parecida com o "mandar fazer de novo". Não tem nada a ver com humildade ou falta dela - apenas com a adequação do trabalho apresentado ao nível de evolução dos destinatários do mesmo".
FONTE: Blog A Partir Pedra. Acesso em http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/2008/01/prancha-de-aprendiz.html
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Graus da Maçonaria.
Graus simbólicos:
Os graus simbólicos são atribuídos universalmente em todas Obediências Maçônicas por Lojas Simbólicas, também denominadas de Lojas de São João ou Lojas Azuis, estes graus são sempre atribuídos nestas Respeitáveis Lojas independentemente da Obediência Maçônica a que respeite e o seu ritual, os ensinamentos simbólicos e iniciáticos transmitidos são muito semelhantes. Assim a Maçonaria embora praticando vários ritos, tem uma principal característica que é o reconhecimento, em todos eles, dos três primeiros graus, havendo diferenças após o grau de Mestre Maçom.
1º GRAU: APRENDIZ MAÇOM - O Aprendiz deve, acima de tudo, saber aprender. É o primeiro contato com o Simbolismo Maçônico. Aprende as funções de cada um no templo e sempre busca o desenvolvimento das virtudes e a eliminação dos vícios. Muitos maçons antigos afirmam que este é o mais importante de todos os graus.
2º GRAU: COMPANHEIRO MAÇOM - A fase de Companheiro propicia ao maçom um excepcional conhecimento de símbolos, além de avanços ritualísticos e desenvolvimento do caráter.
3º GRAU: MESTRE MAÇOM - É o chamado grau da plenitude maçônica. No âmbito do Simbolismo (Lojas Simbólicas) é o grau mais elevado que permite ocupar quaisquer cargos. O Mestre possui conhecimentos elevados da história e objetivos maçônicos.
Graus Filosóficos e Ordens de Sabedoria:
Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Os graus a seguir referem-se exclusivamente ao Rito Escocês Antigo e Aceito:
4) Mestre Secreto
5) Mestre Perfeito
6) Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade
7) Preboste e Juiz
8) Intendente dos Edifícios
9) Cavaleiro Eleito dos Nove
10) Cavaleiro Eleito dos Quinze
11) Sublime Cavaleiro dos Doze
12) Grão-mestre Arquiteto
13) Cavaleiro do Real Arco
14) Prefeito e Sublime Maçom
15) Cavaleiro Do Oriente
16) Príncipe de Jerusalém (Grande Conselheiro)
17) Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18) Cavaleiro Rosa-Cruz ou Cavaleiro Águia Branca
19) Grande Pontífice ou Sublime Escocês
20) Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre "ad vitam"
21) Cavaleiro Prussiano ou Noaquita
22) Cavaleiro Real Machado ou Príncipe do Líbano
23) Chefe do Tabernáculo
24) Príncipe do Tabernáculo
25) Cavaleiro da Serpente De Bronze
26) Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário
27) Grande Comendador do Templo
28) Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29) Grande Cavaleiro Escocês de Santo André da Escócia ou Patriarca das Cruzadas
30) Grande Inquisitor, Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra
31) Grande Juiz Comendador ou Inspetor Inquisidor Comendador
32) Sublime Cavaleiro do Real Segredo ou Soberano Príncipe da Maçonaria
33) Soberano Grande Inspector-Geral.
Ordens de Sabedoria do Rito Francês ou Moderno:
Assim o conjunto dos graus filosóficos deste rito, compreende cinco Ordens de Sabedoria,2 a saber:
1ª Ordem: Eleito Secreto - 4º Grau;
2ª Ordem: Eleito Escocês - 5º Grau;
3ª Ordem: Cavaleiro da Espada ou Cavaleiro do Oriente - 6º;
4ª Ordem: Cavaleiro Rosa-Cruz - 7º Grau;
5ª Ordem: Cavaleiro Kadosh Filosófico ou Cavaleiro da Águia Branca e Preta - 8º Grau;
5ª Ordem: Cavaleiro da Sapiência ou Grande Inspetor - 9º Grau.
As equivalências entre o Rito Francês e os outros Ritos:
Com o Rito Escocês Antigo Aceito:
1.ª Ordem: 4.° grau
2.ª Ordem: 9.º ou mais (Mestre Eleito dos Nove);
3.ª Ordem: 14.º e mais (Grande Escocês da Abóbada Sagrada);
4.ª Ordem: 18.º e mais (Cavaleiro Rosa-Cruz);
5.ª Ordem: 30.º e mais (Cavaleiro Kaddosch);
5.ª Ordem: 33.º (Grande Inspector Geral);
Com o Rito Escocês Retificado:
1.ª à 4.ª Ordem: Mestre Escocês de Santo André e mais;
5.ª Ordem: Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (CBCS).
Graus Filosóficos do Rito Brasileiro:
4) Mestre da Discrição
5) Mestre da Lealdade
6) Mestre da Franqueza
7) Mestre da Verdade
8) Mestre da Coragem
9) Mestre da Justiça
10) Mestre da Tolerância
11) Mestre da Prudência
12) Mestre da Temperança
13) Mestre da Probidade
14) Mestre da Perseverança
15) Cavaleiro da Liberdade
16) Cavaleiro da Igualdade
17) Cavaleiro da Fraternidade
18) Cavaleiro Rosa-Cruz ou da Perfeição
19) Missionário da Agricultura e da Pecuária
20) Missionário da Indústria e Comércio
21) Missionário do Trabalho
22) Missionário da Economia
23) Missionário da Educação
24) Missionário da Organização Social
25) Missionário da Justiça Social
26) Missionário da Paz
27) Missionário da Arte
28) Missionário da Ciência
29) Missionário da Religião
30) Missionário da Filosofia. Kadosh Filosófico
31) Guardião do Bem Público
32) Guardião do Civismo
33) Servidor da Ordem da Pátria e da Humanidade
34) Mestre Ezio.
Referências:
Ir para cima ↑ CAMINO, Rizzardo da. Rito Escocês Antigo e Aceito Loja de Perfeição (Graus 1.º ao 33.º), Madras Editora Ltda., 1999 (2.ª Ed.), ISBN 85-85505-65-6.
Website oficial do Grande Oriente Lusitano.
Bibliografia:
CAMINO, Rizzardo da. Rito Escocês Antigo e Aceito Loja de Perfeição (Graus 1.º ao 33.º), Madras Editora Ltda, 1999 (2.ª Ed.), ISBN 85-85505-65-6
ARNAUT, António. Introdução à Maçonaria, 2000, Coimbra Editora, ISBN 9789723214161.
Fonte: wikipedia. Acesso em https://pt.wikipedia.org/wiki/Graus_ma%C3%A7%C3%B4nicos
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A PRANCHA DE TRAÇAR
A PRANCHA DE TRAÇAR:
A Prancha de Traçar é um retângulo sobre o qual são indicados os esquemas que constituem a chave do alfabeto maçônico.
A Maçonaria em seu simbolismo chama o papel sobre o qual se escreve de “Prancha de Traçar” e substitui o verbo escrever pela expressão “traçar uma prancha”.
A “Prancha de Traçar” está ligada ao grau de Mestre, como a Pedra cúbica ao de Companheiro e a Pedra Bruta ao de Aprendiz.
É sobre a “Prancha de Traçar” que o Mestre estabelece seus planos; mas o Aprendiz e o Companheiro não devem ignorar seu uso e devem exercitar-se – desastradamente talvez – a esboçar aí suas idéias. Esse é o motivo pelo qual esse símbolo já figura no “Quadro de Aprendiz”.
O esquema alfabético que figura na “Prancha de Traçar” lembra ao Maçom que ele sempre deve traduzir seu pensamento de uma forma “maçônica”, trabalhando com “retidão”. Todas as letras têm a forma do Esquadro, que se relaciona com a matéria; não se vê aí o Círculo, símbolo do Espírito, pois o Espírito é invisível. Dessa forma, o Maçom se vê convidado a se libertar da letra para abordar o espírito.
Notar-se-á que a “Cruz”, que dá o esquema das dezoito primeiras letras, e o “X”, que dá as quatro últimas, forma precisamente o desenvolvimento da “Pedra Cúbica Pontiaguda”; essa “Pedra” é assim “colocada na horizontal sobre a “Prancha de Traçar”; aliás, sobre essa “Prancha” não se poderia traçar outra coisa a não ser “planos”.
(Jules Boucher).
Fonte: Arte Real Trabalhos Maçônicos. Acesso em http://focoartereal.blogspot.com.br/2012/01/prancha-de-tracar.html
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